terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Aquele peso em mim...

...meu coração!
Hoje acordei e o peito doía-me. Apertava-me. Sentia-se. Batia num desconcerto que não posso nem sei se consigo explicar. Por toda a minha existência, e desde que me conheço, soube reconhecer que os princípios do Iluminismo de Kant não ganharam forma visível em mim. Não que não saiba fazer uso pleno da razão, muito pelo contrário, considero-me como uma pessoa bastante racional e ponderada em qualquer situação da minha vida. Quero com isto dizer apenas que existem diferentes posturas na vida, sendo que a melhor será sempre a que consegue equilibrar o coração com a razão. E é aqui que me sinto mais pobre... Qualquer pessoa inundada se sentimentos tem dificuldades acrescidas em fazer prevalecer a razão, mesmo que consciente de que isso seria sempre a melhor das opções a tomar. E eu não sou melhor que ninguém. Aliás, desconfio nestes campos seja mesmo pior... Isto não tem que ser depreciativo. Mas é um facto. Cada um terá a sua sensibilidade, e na mesma medida, a mesma capacidade de sentir, sofrer as coisas a ponto de doer, mas doer a sério.
Eu sou, inevitavelmente, uma dessas pessoas. Sinto-me hoje muito mais madura por tudo isso. E digo madura porque não amargurada. As desilusões terão sempre o seu lado construtivo, servem no mínimo, para nos dar os maus exemplos e para crescermos com eles. E recordo-me agora de uma citação que me define em várias situações:

"Ever tried. Ever failed. No matter. Try again. Fail again. Fail better."
(Samuel Becker)
Transmite a força, todo o alento que nos leva a levantar do chão depois da mais aparatosa queda. E afinal, não é aí que está a nossa maior glória? Eu acredito que sim... Para quem partilha desse tacto maior que é a sensibilidade, isso torna-nos numa pessoa forte e determinada, e ao mesmo tempo, eternamente delicada e sublime. Chego mesmo a acreditar que não seria uma pessoa tão bonita se assim não fosse... E isso tirar-me-ia toda uma essência a que vos fui, amigos, habituando, e que faz de mim aquilo que hoje me reconheço. E que confesso, gostaria de reconhecer em tantos mais... Por toda a nossa vida, existirão doces que amargam, flores que brotam do mais àspero caule. O tempo encarregar-se-á por nos revelar a natureza de todos e de cada um... Não será nunca fácil encontrar alguém que nos perceba pela leve expressão do olhar, que mais do que escutar, ouça aquilo que o peito grita, e, acima de tudo, que o entenda. Porque sofre, porque aperta, porque nos pesa... Alguém assim, aquieta o espirito e a alma. Aquece o gélido arrepio na espinha e faz com que sentimentos não sejam assim tão disparatados como a maioria prefere exaltar... Conforta. Anima. Fortalece.
Em mim, sentimentos transbordam e o coração... pesa-me.

1 comentário:

Anónimo disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blogue.